Trânsito e a redução da maioridade penal

Este tema foi abordado no Congresso da Associação Nacional dos Detrans, no início de dezembro e me chamou muito a atenção.
Uma das análises foi que os reflexos da redução seriam muito mais amplos do que parece: seria liberada a venda de álcool para pessoas com 16 anos, o jovem adolescente estaria mais exposto aos riscos de acidentes de trânsito, pois se aos 18 anos percebe-se pouca maturidade na direção, imagine aos 16 anos. Lembrando que são os jovens que mais morrem no trânsito. Teríamos então um aumento destes óbitos entre os jovens? Como o sistema de saúde daria conta disso?
Os impactos em curto prazo seriam enormes, especialmente porque nem todos os jovens de 16 anos estariam ao volante, mas sim, transitando como pedestres e ciclistas sob o efeito do álcool. Sabemos também que os índices de mortes de motociclistas são um problema mundial e que muitos destes não tinham habilitação para dirigir e/ou eram menores de 18 anos. Nas cidades do interior isso é ainda pior devido a escassez de fiscalização.
Daí surgem outras perguntas: se não damos conta de investigar,prender, punir, julgar,os penalmente imputáveis, como o sistema judiciário daria conta de um novo contingente de pessoas condenadas?
Em que cadeia colocaríamos esses jovens? Tem espaço? É quando eles saíssem das prisões, como seria? Isso iria melhorar a falta de segurança que já temos hoje? Filhos dos ricos ou filhos dos pobres e da classe média: quem iria para a prisão?
Vale a pena observar que quem fica preso é o pobre, negro e sem estudo. Será que isso não nos diz nada a respeito da nossa sociedade que se diz democrática?
Quem alicia o jovem para o crime, deixaria de aliciar os de 16 anos e passaria a focar suas estratégias nos menores de 16 anos. Nada mudaria no mundo do crime.
O problema é social, de escassez de políticas públicas que consigam implementar os direitos que já existem nas leis. Colocar as promessas de cidadania em ação, como disse meu amigo David Duarte Lima.
Tenho certeza que se houvesse educação de qualidade, saúde, lazer e cultura à disposição dos jovens adolescentes eles jamais optariam pelo mundo do crime.
Não é porque alguém vive no lixo que ele não sonha por uma vida melhor e mais digna. Pobre também quer o belo, o limpo o justo o digno!!
Aguardo eu comentário e até o próximo blog.

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