Mobilidade segura exige decisões estratégicas

CURITIBA1Para melhorar a mobilidade e o trânsito em longo prazo é preciso tomar decisões estratégicas e inovar nas ações que vão impactar diretamente na vida das pessoas de uma cidade, bairro, vilarejo, rua…Curitiba está fazendo sua lição de casa?

Tenho observado as grandes mudanças estratégicas feitas em Curitiba, que refletem um olhar sistêmico sobre o trânsito da cidade. Eu estou falando de ações que muitos profissionais ou especialistas em trânsito vêm defendendo há muito tempo e que vejo acontecer aqui, na minha cidade do coração.

Em primeiro lugar, colocar a vida das pessoas como prioridade é o mais importante! Vou falar de trânsito, porque ele traz problemas ambientais que impactam diretamente na qualidade de vida da população, sobrecarrega o sistema de saúde público e privado, onera o orçamento público, gera custos sociais incalculáveis.

Curitiba abraçou o movimento mundial chamado Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2020, da ONU e Organização Mundial da Saúde. No Brasil ele é chamado de Projeto Vida no Trânsito. A meta de reduzir mortes no trânsito em 50% até 2020 está sendo alcançada. Curitiba é a única cidade que já está com 30% de redução de mortes no trânsito. Trabalho árduo (muito árduo mesmo) feito nos bastidores por muita gente, tanto do poder público como da sociedade civil organizada, seja da área de educação, fiscalização, engenharia, saúde, etc.

Pra reduzir essas mortes, foi preciso implantar as Vias Calmas, o Centro Acalmado, as pistas exclusivas de ônibus onde não existia, melhorar e ampliar as ciclovias, fazer modificações na circulação das vias, implantar o semáforo para os pedestres idosos para que tenham mais tempo de atravessar a rua (eles são os que mais morrem no trânsito atropelados), implantar as calçadas verdes.

Curitiba também se comprometeu a reduzir sua emissão de CO2 (isso é um acordo mundial), e por isto tem estimulado o uso do transporte público. Ainda não é o ideal, faltam muitas melhorias, mas aumentar o número de pistas exclusivas por toda a cidade, reduziu em aproximadamente 15min o tempo de chegada nos destinos. Isso em médio e longo prazo reduz o uso do transporte individual e a emissão de gases tóxicos no ar, já comprovada pela Organização Mundial de Saúde. Os gases emitidos pelos veículos adoecem as pessoas. Então trânsito é um problema de saúde pública.

Agora a novidade, e está em teste, o ônibus híbrido com motor biodiesel e elétrico, que gera a própria energia, pode ser recarregado, é mais silencioso e é ecológico. Será implantado ainda em 2016.

Então quando a gente fala das coisas que precisam ser feitas, Curitiba está fazendo a lição de cada, em 3 anos está retomando o desenvolvimento da mobilidade em Curitiba, que deitou em berço esplêndido colhendo os louros de antigos administradores (muito antigos diga-se de passagem), mas que há muito tempo clama por ações que façam da cidade, novamente, um modelo que pensa nas pessoas de maneira sustentável. O trânsito é sim fator estratégico de mudanças!!

Nasci em Porto Alegre, mas Curitiba é minha cidade do coração, porque fui criada aqui! Sou atuante no projeto Vida no Trânsito de Curitiba, educadora de trânsito. E o que eu vejo aqui é “desenvolvimento”. Parabéns pelos seus 323 anos!

Veja mais em:

“O levantamento, realizado com base em dados de órgãos de monitoramento e controle ambiental de Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Recife, além de São Paulo e Rio, aponta uma economia de R$ 145 milhões e 51.188 internações hospitalares a menos por problemas cardiorrespiratórios nas duas últimas capitais, no período de 2015 a 2025.” http://atitudesustentavel.com.br/blog/2015/07/07/mais-biodiesel-no-transporte-reduz-poluicao-internacoes-e-mortes/

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