Confissões de quem não usa bicicleta

ciclista “Se você nem tem bicicleta então pare de postar aquelas coisas no facebook”. Isto foi o comentário que meu irmão me fez outro dia, só porque ultimamente ando postando muitas notícias e artigos sobre a mobilidade urbana. Algumas delas defendem o uso da bicicleta e políticas públicas para este tipo de modal. Eu não uso bicicleta, mas não significa que eu seja contra quem usa ou a defende. A questão é a seguinte…

Já usei muito bicicleta em minha vida: na infância, adolescência, na universidade e até na vida adulta. Também já caminhei muito, mas muito mesmo, antes de ter a bicicleta (sem marcha). Quando me roubaram a segunda bike eu desisti de pedalar. Depois vieram as minhas filhas e abandonei de vez. E por quê?

Primeiro: morro de medo de ser assaltada e sofrer violência.

Segundo: medo de envolvimento em acidente de trânsito. As ruas não são seguras para bicicleta e tem pouca ciclovia.

Terceiro: me acomodei.

Quarto: não consegui conciliar a rotina diária com o uso da bicicleta.

Sei que muitas pessoas ainda têm o fator distância da casa/trabalho/escola que dificulta a escolha pela bicicleta. Os fatores que eu relatei acima referem-se a minha realidade. E percebam que comodismo veio antes de “conciliar a rotina”. Sinal que posso fazer mudanças. É no que venho refletindo e praticando ultimamente.

Para falar bem a verdade, e confesso neste diário, que há 2 anos os meus trajetos mudaram, porém não alterei muito a minha rotina de transporte. Continuei usando o carro pra tudo.

Atualmente já houve avanços, do tipo, consigo levar e buscar as minhas filhas na escola a pé, pois é perto de casa. Antes eu fazia de carro porque era mais rápido. Hoje vou e volto conversando com elas e ensinando como ser pedestre.

Também já consigo ir à padaria e ao comércio do bairro à pé, coisas que eu fazia de carro, pra aproveitar o retorno do trabalho para casa. Hoje meu escritório é em casa. Então tem sido possível mudar alguns hábitos.

Agora estou pensando em comprar uma bicicleta, para transitar a 1 ou 2 Km, no máximo, pedalando. Pensei que não preciso só usar a bike, ou só usar o carro, ou só usar o ônibus. Posso variar, nem que seja só no final de semana. A ideia é mudar alguns hábitos e variar quando for possível, como naquele blog que escrevi sobre deixar o carro no terminal e ir e voltar de ônibus, conforme o destino.

Tenho lido muita coisa e conversado com muitas pessoas sobre as questões da mobilidade e o consenso entre nós é que todos os modais são importantes, mas que o automóvel está em supremacia. Se conseguíssemos fazer algumas mudanças, nem que fossem pequenas, já haveria uma melhora na mobilidade em todos os sentidos. Quando for possível caminhar, pedalar, usar ônibus, carro, caminhar, que façamos conforme é possível. Pena que o cenário ideal de integração entre os modais ainda está um pouco distante.

E você, quais são suas limitações? O que seria ideal para você?

 

 

2 comments to Confissões de quem não usa bicicleta

  • Hosting  disse:

    Quem passa dirigindo um carro, olha para o lado e nao ve uma bicicleta passando em uma ciclovia, logo poderia pensar isto. Mas qual a relevancia deste empirismo? Do ponto de vista tecnico, nenhuma.

  • Erica Nickel  disse:

    Olá Jeremy,

    Obrigada por seu comentário.
    A página é um blog e por isto posso postar o que eu quiser a partir do meu ponto de vista empírico, inclusive. Os blogs costumam ser o retrato do dia a dia de quem escreve.
    Eu poderia escrever algo bem técnico. Tenho conhecimento para isto, porém optei por colocar minha experiência como usuária do trânsito e não como especialista em trânsito. É uma opção minha porque sou a dona do blog.
    Quanto a sua primeira frase, ela não está clara e não dá pra entender o que você quer dizer com seu comentário nesta sentença.
    E se o blog não teve relevância para você, tudo bem. Cada um lê, interpreta e usa as informações se quiser e como quiser.

    O pensar é livre!

    Você é livre para comentar e eu, livre para escrever!

    Erica

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